Mar adentro
«o pior para um pai não é morrer-lhe um filho. É saber que esse filho quis morrer» (Mar Adentro - Alejandro Amenabar).
Pensei mais nos teus pais hoje. Na minha incapacidade de saber o que a dor deles encerra. Ou de que tamanho, de que cor é a dor que eles sentem porque quiseste morrer. E morreste. Que pensas tu?
Em ti penso sempre. Como um véu que carrego. Fardo que não é pesado. Mas acompanha. Não é pesado porque não foste meu filho. Foste uma outra coisa. A dor - dizem - não tem medida. Nem peso. Nem textura. Se te carrego como véu é porque agora, apesar de ainda estares morto, sou capaz de respeitar a escolha que fizeste.
Não saiste daqui como Ramón Sampedro nem por tão óbvias e transparentes razões. Foi como foi e eu nada sei. Agora sei muito menos do que sabia quando ainda não estavas morto e eu desconhecia que um dia o estarias. Até tu, eu sei, eu sei, desconhecias que um dia já não serias.
Mas dizia-te que agora sou capaz de compreender que o deixares de estar vivo foi uma opção pessoal, provavelmente (ou seguramente?) a única verdadeiramente livre que tomaste. A única que podemos tomar assim.
O meu problema não é apenas não estares aqui onde eu existo. O meu problema maior é não estares em parte nenhuma. Asseguro-te que te tenho procurado. Não é difícil achar o que foste, dentro dos teus livros, da tua música. Das fotografias que (ainda) não envelheceram. Mas encontrar-te é impossível, como sabes. Os bocados do que eras não bastam para preencher esta falta que me fazes.
Pensei mais nos teus pais hoje. Na minha incapacidade de saber o que a dor deles encerra. Ou de que tamanho, de que cor é a dor que eles sentem porque quiseste morrer. E morreste. Que pensas tu?
Em ti penso sempre. Como um véu que carrego. Fardo que não é pesado. Mas acompanha. Não é pesado porque não foste meu filho. Foste uma outra coisa. A dor - dizem - não tem medida. Nem peso. Nem textura. Se te carrego como véu é porque agora, apesar de ainda estares morto, sou capaz de respeitar a escolha que fizeste.
Não saiste daqui como Ramón Sampedro nem por tão óbvias e transparentes razões. Foi como foi e eu nada sei. Agora sei muito menos do que sabia quando ainda não estavas morto e eu desconhecia que um dia o estarias. Até tu, eu sei, eu sei, desconhecias que um dia já não serias.
Mas dizia-te que agora sou capaz de compreender que o deixares de estar vivo foi uma opção pessoal, provavelmente (ou seguramente?) a única verdadeiramente livre que tomaste. A única que podemos tomar assim.
O meu problema não é apenas não estares aqui onde eu existo. O meu problema maior é não estares em parte nenhuma. Asseguro-te que te tenho procurado. Não é difícil achar o que foste, dentro dos teus livros, da tua música. Das fotografias que (ainda) não envelheceram. Mas encontrar-te é impossível, como sabes. Os bocados do que eras não bastam para preencher esta falta que me fazes.
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