Tuesday, March 22, 2005

A memória

Costumo dizer e sabias disso que tenho uma memória fenomenal, para o bem e para o mal. As pessoas não entendem. Ou melhor, é raro as pessoas entenderem-me quando digo isto. Ter boa memória é frequentemente considerado excelente, sobretudo por quem a não tem. Tu tinhas uma memória bastante mais prodigiosa que a minha. Armazenavas informações (eu, por vezes, perguntava-te para que raio era aquilo necessário... aquela lembrança de tantos pormenores, tantas informações, tantos lugares, tanta gente, tanta equação, tanta fórmula... mas deveria, se pudesse, dizer-te que aquilo tudo me foi muitas vezes preciso. Ponto). Por estes dias alguém, a quem eu atirei, munida de algum convencimento, a frase costumeira da boa memória para o bem e para o mal, me disse uma coisa que me deixou a pensar. Disse-me mais ou menos isto: 'eu também tinha uma memória dessas, mas a certa altura tive de apagar coisas, caso contrário, ter-me-ia suicidado'. Talvez...

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