Tuesday, July 19, 2005

Estranhas, estas pessoas...

... que se têm cruzado comigo ultimamente. Estranhas. Muito estranhas. Estou farta delas, sabes? Aliás, estou um pouco cansada de todas as pessoas. Gostava que ainda fosses uma delas, para me poder cansar de ti. Também. Nunca aconteceu. Cansar-me. De ti. Só dos outros. E, no entanto, gostava muito que agora mesmo ainda fosses uma pessoa de quem eu pudesse cansar-me. Resta-me cansar-me de mim mesma. Mas isso é difícil. Se me cansar de mim desisto. E se eu desistir, cansada de mim, quem faz o que eu tenho que fazer, quem ri o que eu tenho de rir, quem vê o que eu tenho de ver, quem gosta o que eu tenho de gostar, quem se cansa do que estou cansada? Se ainda me pudesse cansar de ti. Cansava-me de ti. E já tinha uma desculpa muito boa para não me cansar. De mim.

5 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Visitando este Blog fiquei com a sensação de visitar um lugar da Morte, criado por alguém que parece sofrer ainda a perda de um ente querido. Depois pensei (senti) um milhão de coisas: - Quão vazias são as frases do tipo "sinto muito" ou "os meus pesamos" (quão hipócritas por vezes). A morte de um ente querido não tem remédio, não tem esperança. A única coisa a que podemos aspirar é a de conseguir lidar com a memória que nos ficou do desaparecido, com alguma dignidade. Essa memória é feita de emoções que geram sentimentos, que geram emoções que geram outros sentimentos, num turbilhão de sensações habitando o nosso corpo. A saudade é um estado físico, não se pensa, provoca sofrimento, dor. Por isso dizemos que sentimos saudade. As emoções surgem sempre antes dos sentimentos. È quando tomamos consciência do estado físico de uma emoção que geramos dentro de nós o sentimento associado. O sentimento de viuvez, de abandono, não escapa a esta lei da natureza. A génese da Emoção é algo que tem a ver com o instinto de sobrevivência, isto é, "software" gravado no genoma + "upgrades" proporcionados pela experiência. Vistas as coisas deste ponto de vista, neste referencial, talvez tenhamos capacidade interior para conduzir o pensamento, e não ser conduzidos por ele, e para dominar o turbilhão.

Freud teve o grande mérito de demonstrar que só o conhecimento das causas profundas de um "estado doloroso da alma", (que agora sabemos ser equivalente a um estado físico), conhecimento adquirido de facto pelo paciente, pode conduzir ao controlo desse estado, à sua cura. Freud foi um cientista. O mérito da Ciência é tão somente conduzir-nos à descoberta do referencial mais correcto para descrever os fenómenos deste mundo. O referencial mais correcto á aquele que nos mostra "o caminho para onde quero ir" com maior simplicidade, maior rapidez. Por isso os astrónomos que estudam o sistema solar não escolham como referencial a Terra, mas o Sol. Toda a investigação se simplifica.

Anónimo das 11

22.7.05  
Blogger Elisa said...

Anónimo das 11
Não é um lugar de morte... é um lugar onde a vida pára um bocadinho, para seguir dentro de momentos. É um lugar onde se fala. Só isso.

25.7.05  
Anonymous Anonymous said...

d´acordo

29.7.05  
Blogger Luis Capucho said...

De facto e decididamente é inteligente, mas sabe que por vezes é um problema, quando não há á nossa volta do mesmo, acontece precisamente isso que descreveu e muito bem.
Até breve

6.3.06  
Anonymous Anonymous said...

Keep up the good work » » »

14.2.07  

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