Wednesday, May 25, 2005

Muitos modos de morrer

O teu foi apenas um deles. Não sei se pior, se melhor, do que as pequenas mortes quotidianas. As nossas. As dos outros em nós. Gostaria de poder contar-te de quem resolvi matar. De quem me tem morto a mim. Mas não vale a pena. Talvez a melhor faceta da morte seja justamente a de que não se pode regressar. A sítio nenhum. Uma das piores é que, apesar dessa impossibilidade, persistimos em recordar. Há muitos dias em que me sinto desamparada. Tenho dificuldade em perceber as vantagens (?) de estar vivo. Há muitos dias em que olho a altura do meu 4ª andar e a calçada lá em baixo e penso: e se agora eu voasse? Como última sensação decerto não seria má. Mas e o impacto? Receio esse momento. Receio até voar. Mas gostava de poder dizer-te que a velocidade com que hoje excedo os meus limites é cada vez maior. A culpa não está em ti. Na tua morte. Está em toda a parte.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

"A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer(...)"Faça o que fizer, poderia muito bem fazer outra coisa. Não é isso que importa. Importa é saber-se livre como qualquer outro elemento da criação. Importa é saber-se um fim autónomo, que repousa em si mesmo como um pedra sobre a areia." - Stig Dagerman

margem

13.7.05  

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