Monday, May 02, 2005

Je me sens coupable

Tu sabias que me sinto sempre culpada. Por hábito. Também, como diz no La Confession a Lhasa, que nunca chegámos a partilhar, é a única coisa que posso fazer com uma certa certeza. A culpa. Ontem despedi uma pessoa: Não suportava mais o seu riso imbecil. Apetecia-me destruir aquele sorriso. Palavra. E as certezas... se tu pudesses conhecer aquelas certezas... ficarias estarrecido. Tantas certezas! Sabes? Daquelas que nos metem medo? Medo. Não porque sejam verdades... mas porque são o prenúncio da destruição das pontes. E olha, deu-me para te fazer a confissão da despedida de uma qualquer pessoa que nem sequer cheguei a conhecer. O problema, como facilmente advinharias, se ainda pudesses advinhar, é que me sinto culpada por ter o hábito. Da inquietação. Pode ser-se de companhia com alguém a quem as certezas tanto tranquilizam? Eu sei. Passarias a tua mão pela minha cabeça. Eu não saberia o que pensar, do mesmo modo. Mas teria a tua mão. A tua mão no meu cabelo.

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